A Importância das Metas

Por Camila Perez, cp@gocapitalpar.com

Imagine que você está em um barco com mais três pessoas e a cada uma é dada a tarefa de chegar a outro lugar. No entanto, ninguém informou que lugar é esse, vocês não decidiram entre si para onde ir, e cada um, remando para direções diferentes, não consegue sair do lugar e anula o esforço do outro. Isso é o que pode acontecer quando uma empresa não tem suas metas e seus objetivos extremamente claros para todos os seus funcionários: ficam todos direcionando esforços para lugares diferentes sem saber ao certo aonde querem chegar.

Quando uma empresa não possui diretrizes amplamente difundidas entre seus funcionários, do nível mais operacional ao nível mais estratégico, a operação sofre com desperdícios de energia e eventuais conflitos que acabam distanciando o foco dos resultados da organização. No momento em que são estabelecidas metas e se tem um direcionamento claro, a atuação de todos se torna mais fluida e eficaz.

No entanto, uma meta só se torna relevante se for construída de maneira fundamentada. Um dos primeiros passos para que uma empresa seja capaz de colocar todos os seus funcionários na mesma página é a construção de um orçamento alinhado aos seus objetivos. Para que um orçamento seja bem-sucedido, ele não pode ser imposto, mas sim construído em conjunto com gestores e supervisores, figuras que posteriormente serão responsáveis pelo controle do orçamento. Muitos não têm o hábito de acompanhar as demonstrações financeiras da empresa, e, portanto, nem conhecem a dimensão das despesas de seus setores. Quando, porém, são desafiados a fazer um orçamento, se surpreendem e passam a ser mais conscientes e eficientes na gestão de suas áreas. Quanto mais participativa for a criação do orçamento, mais os gestores se sentirão donos das suas despesas e, como consequência, atuarão com mais disciplina no sentido de mantê-las dentro do planejado.

De nada adianta um orçamento bem feito se não for acompanhado. Na primeira tentativa de realizar um orçamento, provavelmente serão encontradas diversas distorções entre orçado e realizado, o importante é que todos sejam capazes de identificar quais acontecimentos ocasionaram tais distorções. À medida que se cria a cultura de acompanhamento, e esse processo se torna contínuo dentro da rotina da empresa, essas variações vão se tornando cada vez menores, aumentando o poder de previsibilidade. Dessa forma, a tomada de decisão deixa de ser reativa, e o exercício de pensar no longo prazo contribui para que a empresa esteja pronta para navegar tanto águas calmas quanto águas mais turbulentas.

Camila Perez é graduada em Economia pela UFRGS, com extensão na Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos. É sócia da Go Capital Partners.

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2018-02-26T17:56:03+00:00 26/02/2018|Artigo em foco|