Contabilidade: Um instrumento de gestão

Por Bianca Müller

É de conhecimento geral que toda empresa deve dispor do auxílio de um contador para cumprir com as suas obrigações legais e fiscais. Entretanto, é importante ressaltar que o contador, através da contabilidade gerencial, é capaz de fornecer dados para que informações relevantes não sejam desperdiçadas. Igualmente, esses dados podem ser utilizados em benefício da pessoa jurídica, de modo que a contabilidade não trabalhe apenas para suprir a legislação vigente.

Conforme bem traz Iudícibus, a contabilidade gerencial possui uma visão especial, revendo várias técnicas e procedimentos e colocando as informações em uma concepção distinta, num nível de detalhe mais minucioso ou numa forma de apresentação e classificação peculiares[1]. Desse modo, a contabilidade gerencial se manifesta como um diferencial, pois proporciona informações relevantes para tomada de decisões, isto é, dados para a administração utilizar no planejamento, na avaliação e no controle dentro de uma organização.

Do ponto de vista sistêmico, a contabilidade está integrada com diversos setores de uma empresa, como compras, vendas, faturamento, financeiro, etc. O conjunto dessas informações, de modo imediato e correto, é essencial para a realização de uma contabilidade gerencial precisa, demonstrando aos gestores a situação real da empresa de maneira eficaz e possibilitando que sejam realizados procedimentos que resultem na maximização de resultados e ações na operação da pessoa jurídica.

Nesse sentido, a contabilidade gerencial pode utilizar diversos recursos para auxiliar na melhor administração da empresa, analisando dados do balancete, do fluxo de caixa, elaborando indicadores, ponto de equilíbrio, orçamentos, trabalhando no planejamento tributário e financeiro de curto e longo prazo. Levando em consideração o que acontece no ambiente externo, a contabilidade gerencial contribui para o desenvolvimento da companhia e possibilita que se mantenha ou se torne competitiva perante o mercado.

No entanto, a contabilidade gerencial não se resume apenas a fornecer informações relevantes a gestores e administradores de empresas, ela também atende os fornecedores, demonstrando a situação financeira da companhia e sua capacidade de pagamento, além de assegurar informações aos usuários externos, como investidores, clientes, bancos, corretoras de valores e outros órgãos.

Cabe ressaltar que, em épocas de crise, o gerenciamento de dados proporciona a retomada das operações em novos moldes visando a sua estabilidade econômica e financeira no mercado e demonstrando, dessa forma, que estratégias desenvolvidas com base em dados reais e precisos da empresa podem auxiliar a companhia na tomada de decisões de modo mais assertivo, fortalecendo-a perante o mercado e suas constantes mudanças de cenário econômico.

Por essas e outras razões, a contabilidade gerencial é hoje um dos segmentos da ciência contábil de grande importância, pois constitui-se uma ferramenta indispensável para as empresas, servindo como auxílio quando se deseja criar, ampliar, modificar suas metas e seus objetivos, ou realizar melhorias nos processos internos, a fim de proporcionar estabilidade e crescimento à companhia.

¹ IUDÍCIBIUS. Teoria da Contabilidade, 1988, p. 21.

Bianca Müller é auxiliar contábil na Dutra contabilidade, empresa que adota o método Dutra Consultores. Acadêmica do curso ciências contábeis da Universidade Feevale, atua na área contábil e fiscal em empresas de diferentes segmentos.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da B3 ou como recomendação de investimento. A B3 não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.
2018-02-20T19:20:06+00:00 20/02/2018|Artigo em foco|