Capitalismo Consciente

Por Gabriela Kauer

Em meio a crises econômicas, desigualdade social, acelerado crescimento populacional e degradação do ambiente, o capitalismo vem demonstrando sinais de desgaste e está dando espaço a um novo modelo econômico, o capitalismo consciente. Esse modelo começou como um movimento nos Estados Unidos, em 2008. Ainda é recente no Brasil, tendo sido oficializado em 2013 pelo Instituto Capitalismo Consciente Brasil, formado por diversos executivos.

O capitalismo consciente busca equilibrar os resultados financeiros e a sustentabilidade através de prosperidade mais humanizada. É baseado nos quatro princípios demonstrados na Figura 1:

Figura 1 – Princípios do Capitalismo Consciente

Fonte: Instituto Capitalismo Consciente Brasil

O primeiro princípio do capitalismo consciente é o propósito. O lucro é essencial para a sustentabilidade do negócio, mas ele não deve ser o único nem o principal objetivo de uma empresa. As empresas conscientes centralizam a ideia de criar um impacto positivo e tornar o mundo melhor, o lucro acaba por ser uma consequência dessa atitude.

Um negócio é uma rede interconectada de relacionamentos, formada por diversas partes interessadas, chamadas de stakeholders. As empresas conscientes focam a geração de valor para todos os envolvidos nesse ecossistema de negócios, reconhecendo que, sem funcionários, clientes, fornecedores, financiadores, comunidade e meio ambiente, não há negócio. Deve haver uma relação ganha-ganha que preserve a harmonia e a integração entre as partes.

As organizações espelham suas ações e personalidade no indivíduo que está no topo, por isso a liderança é o terceiro princípio do capitalismo consciente e define que a transformação deve vir de cima para baixo. Líderes conscientes entendem que devem servir ao propósito da organização, apoiando as pessoas e criando valor para os stakeholders.

cultura reúne os valores, os princípios e as práticas da organização, permeando as ações e conectando os stakeholders uns aos outros e a um mesmo propósito. Quando a cultura está bem definida e difundida na organização, o líder passa a ter um papel de apoio para que cada um consiga alcançar o que precisa a fim de dar continuidade ao propósito da empresa.

O nível de consciência de uma empresa é um processo contínuo realizado com base nesses princípios. Grandes companhias já adotaram esse modelo econômico, tais como Google, Whole Foods, Amazon, Unilever e BMW. À medida que esse modelo for se espalhando e se tornando conhecido, ainda mais empresas o adotarão. Apesar de o lucro não ser questão central nesse modelo, existem indicadores de que empresas conscientes possuem melhor desempenho no mercado. O livro Empresas humanizadas: pessoas, propósito e performance indica que, no período de 15 anos (1998 a 2013), as empresas “humanizadas” que praticaram esses quatro princípios obtiveram um desempenho dez vezes superior à média da bolsa de valores dos Estados Unidos.

Apresentando-se como uma alternativa ao capitalismo, o capitalismo consciente não tem o lucro como principal objetivo de uma organização, cujos propósitos, que são mais elevados, geram valor de maneira equilibrada e sustentável para todos os stakeholders.

Gabriela Kauer é graduada em Administração de Empresas e pós-graduanda em Controladoria e Finanças. Atua com consultora na Dutra Gestão Empresarial, empresa que adota o método Dutra Consultores e possui experiência em projetos de M&A, Due Diligence e internacionalização de empresas.

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2018-02-16T18:46:53+00:00 16/02/2018|Artigo em foco|