Entenda a importância da mulher no conselho administrativo

Por Isabel Alves Azevedo, isabel@guiaexecutivo.com

A ausência da mulher no conselho administrativo ou em cargos de alta direção soa contraditória quando analisamos o desempenho das empresas. Isso porque as organizações que possuem maior diversidade em posições de liderança têm uma probabilidade 15% maior de obter lucros acima do setor em que estão inseridas.

Esse dado foi comprovado por um estudo da consultoria McKinsey. O mesmo levantamento indicou que apenas 6% dos cargos executivos de grandes empresas são ocupados por mulheres no Brasil.

Outro estudo, realizado neste ano pela agência Volt Data Lab, também não registra números animadores. Apenas 17 empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo possuem mulheres no cargo de CEO. Isso representa 4,4% do total.

Quando considerados cargos de gerência executiva, o mesmo estudo observou que a presença feminina é de meros 10,5%. A atuação da mulher no conselho administrativo também é praticamente inexistente: 7,7%. Para se ter uma noção da desigualdade brasileira, esse número atinge 40% na Noruega.

Caminhos para ter a presença da mulher no conselho administrativo e na alta direção

A ausência de mulheres ocupando cargos diretivos em empresas ainda é uma barreira a ser transposta pela sociedade — não só no Brasil, mas também no mundo inteiro. Atitudes como as tomadas no Canadá, no entanto, apontam como esse desafio pode ser superado.

Desde 2006, por exemplo, o país da América do Norte desenvolveu uma política de incentivo à participação feminina na gestão das empresas. Inclusive, o primeiro-ministro, Justin Trudeau, ao assumir em 2015, montou o ministério dividindo as principais posições em partes iguais para homens e para mulheres.

No Brasil, tais ações ainda são tímidas. Tramita no Senado um projeto que impõe um percentual mínimo de mulheres nos Conselhos de estatais. O número iniciaria em 10% e aumentaria gradativamente até chegar a 30% em 2022.

A política de cotas gera alguma polêmica. Seus opositores questionam a suposta ausência de mérito para a escolha de quem ocupa determinado cargo. Quem a defende, contudo, registra que o merecimento continua fundamental: o sistema apenas corrige distorções.

Por que as mulheres já estão prontas para cargos importantes

Se o problema fosse apenas meritocracia, a desigualdade no preenchimento de cargos de alto escalão entre homens e mulheres não existiria. As profissionais são tão escolarizadas quanto seus pares masculinos e aptas a desempenharem as mesmas funções e terem as mesmas responsabilidades.

Em um Conselho de Administração, no qual são tomadas decisões para o direcionamento estratégico do negócio, ter uma pluralidade de perfis é vantajoso para a empresa. Entre as características que normalmente são destacadas em executivas de sucesso estão: a capacidade de se comunicar de forma superior e a empatia, sendo que esta é fundamental para administrar equipes.

Adicionalmente, uma maior variedade de perfis nos conselhos possibilita um planejamento mais realista em relação a uma parcela importante dos potenciais clientes que uma companhia pode alcançar, além de abrir caminho para abordagens mais inovadoras na resolução de problemas.

Os benefícios retornam para toda a sociedade

O empoderamento feminino surge, desta forma, como a resposta para o estabelecimento de um mercado de trabalho mais igualitário e melhor alinhado à realidade atual. Os frutos disso, no entanto, vão mais além.

Ao permitir a mesma oportunidade de crescimento para homens e mulheres, o retorno não é colhido apenas pela empresa que a propiciou, mas por toda sociedade. Afinal, a igualdade de gênero é um princípio que deve ser perseguido para extinguir a discriminação.

Como pudemos observar, ainda que se esteja distante do ideal, existem avanços. Seja por ações afirmativas, seja pela conscientização gradual, há de se comemorar que o tema esteja sendo cada vez mais discutido.

Isabel é Executiva de Desenvolvimento Humano e Organizacional e referência em boas práticas de governança em processos de fusões e aquisições para empresas familiares de pequeno e médio porte. Atualmente, mentora e conselheira associada ao IBGC. Especialista em dinâmicas de grupo pela SBDG, possui Executive MBA pela FDC e PMBA na Kellogg School of Management. Idealizadora do projeto Guia Executivo, canal de conteúdo para empresas e gestores. Colunista de revistas e conhecida pela clareza de exposição e didática ao lidar com temas complexos e desconfortáveis.

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2017-10-31T12:21:34+00:00 31/10/2017|Artigo em foco|