Conselho administrativo: qual sua importância para pequenas empresas?

Por Isabel Alves Azevedo, isabel@guiaexecutivo.com

 

Nas pequenas empresas, a centralização do comando, muitas vezes, acaba sendo inevitável. Acontece, porém, que essa polarização acaba tornando os processos mais lentos, o que pode prejudicar o negócio.

Nesse sentido, a criação de um conselho administrativo traz muitos benefícios às pequenas companhias, como a objetividade na tomada de decisões relevantes e o mentoring para os futuros herdeiros.

Vantagens de um conselho administrativo

Muitos gestores, de maneira equivocada, pensam que o conselho administrativo não serve às micro e pequenas instituições. John Davis, respeitado internacionalmente por seus conhecimentos em gestão de empresas familiares, preconiza que a pequena companhia forme colegiados mesmo quando não for obrigada.

Isso porque essas assembleias são alicerces para uma boa governança corporativa, isto é, o conjunto de regras necessárias para uma administração eficaz. Um conselho administrativo conta com profissionais de formações e experiências distintas, possibilitando uma visão panorâmica sobre a situação da instituição e do mercado.

Essas associações também fomentam novos desafios para o negócio, dão suporte ao gerenciamento de crises e apoiam gestores e proprietários em decisões fundamentais. Elas ajudam, ainda, a superar impasses, quando a família ou os proprietários estão indecisos sobre um assunto, por exemplo.

Customização do órgão coletivo

O principal objetivo do conselho administrativo é maximizar o retorno dos investimentos. Para o cumprimento dessa tarefa, o grupo elabora diretrizes estratégicas para a organização.

Assim, para uma pequena empresa, é necessário que essa assembleia esteja adaptada à realidade desse negócio. Isso significa que o formato e a dinâmica dessas associações dependem do contexto de cada instituição. Embora haja essa diversidade, especialistas recomendam algumas normas.

Para as pequenas, por exemplo, o órgão coletivo deve ter, pelo menos, três e, no máximo, cinco componentes. O número ímpar evitará empates nas deliberações e, por essa razão, precisa ser adotado.

A fim de garantir o aproveitamento das vantagens de uma gestão compartilhada, o grupo deve contar com profissionais de experiência e formação diferentes, mas ligados à rotina dessa empresa. Isso porque eles terão de apontar e retificar as falhas da companhia em áreas jurídicas, financeiras e de planejamento, entre outras.

Além disso, a diversidade contribuirá para que as discussões sejam mantidas em nível elevado de argumentação.

Auxílio por comitês

A criação de conselhos administrativos é compulsória para as empresas de capital aberto. Nessas organizações, o colegiado define as metas estratégicas de longo prazo.

As empresas menores, mesmo que não sejam obrigadas a cumprir certos quesitos, podem adotar algumas das práticas indicadas para os órgãos coletivos de grandes companhias.

De acordo com o relatório de Governança Corporativa 2011 da Revista Capital Aberto, mais da metade das indústrias brasileiras com capital aberto não conta com comitês de auditoria e de remuneração para ajudar nas atividades de seus conselheiros. Esse suporte, porém, é muito recomendável.

Ambos os subgrupos (um para auditar e outro para superintender as formas de remuneração) são essenciais para ajudar o board estrategicamente. No primeiro caso, o comitê funcionaria como uma corregedoria. Sem ele, o desempenho global da instituição correria o risco de ser afetado por uma má decisão desse conselho.

Já a segunda proposta (manter um comitê para ponderar sobre as formas de remuneração) é capaz de impedir e resolver conflitos. Isso porque os mecanismos de bonificação de gestores e de conselheiros devem estar alinhados. Essa sintonia vai assegurar que a fiscalização dos últimos sobre os primeiros não fique comprometida.

Imagine se um membro do conselho recebesse a cada erro de gestor que apontasse. Isso criaria uma situação constrangedora e favorável a distorções, por exemplo.

O conselho administrativo, portanto, não é exclusivo às empresas de grande porte. Pelo contrário. Um órgão como esse tem a habilidade de gerar recompensas bastante específicas às gestões familiares. São exemplos disso as orientações para os herdeiros sobre o mundo corporativo e o treinamento da família sobre a importância do respeito à governança corporativa.

Assim, a pequena empresa não corre o risco de perder seu profissionalismo. Esses colegiados propiciam melhores condições para modernizar a gestão e para buscar novas oportunidades.

 

Isabel é Executiva de Desenvolvimento Humano e Organizacional e referência em boas práticas de governança em processos de fusões e aquisições para empresas familiares de pequeno e médio porte. Atualmente, mentora e conselheira associada ao IBGC. Especialista em dinâmicas de grupo pela SBDG, possui Executive MBA pela FDC e PMBA na Kellogg School of Management. Idealizadora do projeto Guia Executivo, canal de conteúdo para empresas e gestores. Colunista de revistas e conhecida pela clareza de exposição e didática ao lidar com temas complexos e desconfortáveis.

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2017-10-31T13:24:36+00:00 31/10/2017|Artigo em foco|