A nova geração nas empresas familiares

Por Domingos Ricca, ricca@empresafamiliar.com.br

As empresas familiares representam uma parte significativa da economia brasileira, cerca de 85% do parque empresarial do Brasil.  Além de ser o sonho do fundador, perpetuar essas empresas é fundamental para equilíbrio da economia do país.

Entretanto, realizar essa tarefa requer alguns cuidados, ainda mais quando a geração que irá assumir é caracterizada como “geração Z”. A geração, composta por pessoas nascidas na década de 90, as quais são antenadas, dinâmicas e tecnológicas.

Os jovens, que possuem pouco mais de 20 anos, estão trazendo novos desafios, pois estão acostumados a executar múltiplas tarefas e não gostam de perder tempo nem ficarem parados, sendo um de seus principais atributos o imediatismo. Tais características são fundamentais para que a empresa inove e busque modernidade, tornando-a competitiva dentro do mercado.

Contudo, é necessário que essa transição de geração para geração seja feita com muita cautela, pois esse dinamismo faz com que esses jovens não se fixem em uma mesma empresa por longos períodos. O grande desafio é como tornar um jovem dessa geração, um líder apto para assumir o comando de uma empresa familiar.

O processo é longo, em virtude de que não se conquista a confiança dos colaboradores da noite para o dia e nem se possui a mesma de imediato para um cargo de tão alto nível. Para que isso ocorra temos que seguir 3 passos:

  • Saber se o sucessor tem interesse em atuar nos negócios da família: o sucessor não pode assumir a empresa somente por ser parente do fundador, é importante que ele tenha competência e interesse para assumir um cargo na organização familiar;
  • Garantir um processo de qualificação: colocá-lo para vivenciar o dia a dia, a rotina de todas as áreas da empresa, é fundamental para o crescimento do sucessor e é importante que esse processo seja realizado com tempo e tendo, de preferência, a condução do fundador, pois ele servirá como mentor durante toda a formação;
  • Começar atuando de baixo, para poder entender a estrutura e suas operações junto aos demais colaboradores: transmitir a cultura e os valores da empresa, fazendo com que o sucessor se adapte ao modelo organizacional, respeitando as regras já estabelecidas pelo fundador e conquistando a confiança e respeito dos demais colaboradores.

É muito comum que haja conflitos oriundos de situações vinculadas a adoção de modernidades, que ao sucessor parecem fundamentais, e pela ótica do fundador são questões supérfluas. Porém, ao realizar a sucessão, as características do sucessor devem ser preservadas, de maneira a trazer o que há de melhor em sua geração: inovação e criatividade.

Assim como os jovens dessa geração, as empresas também precisam estar em constante evolução, e terão como principal desafio atualizar os negócios, criar novos modelos de liderança e um plano de carreira atrativo para reter os talentos da nova geração para ajudarem as empresas familiares em um futuro próximo e se consolidarem cada vez mais no mercado.

Domingos Ricca é Sócio-Diretor da Ricca & Associados Consultoria e Treinamento e da Revista Empresa Familiar. Consultor especializado em Governança Corporativa para Empresas Familiares. Palestrante e Conferencista nacional e internacional. Conselheiro da FIERGS. Administrador, MBA em Gestão pela Wisconsin University,  PhD em Administração pela Florida Christian University. Certificado em Governança Corporativa pela SQS Suíça. Autor dos seguintes livros: Governança Corporativa nas Empresas Familiares: Sucessão e Profissionalização. Editora CL-A. São Paulo, 2012; Sucessão nas Empresas Familiares: Conflitos e Soluções. Editora CL-A. São Paulo, 2006; Da Empresa Familiar à Empresa Profissional. Editora CL-A. São Paulo, 1998.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da B3 ou como recomendação de investimento. A B3 não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.
2017-09-13T21:54:23+00:00 13/09/2017|Artigo em foco|