Qual é a prioridade da gestão?

Por Mauricio Bergamaschi, mb@gocapitalpar.com

Qual é a prioridade da gestão?

Acompanhando inúmeros encontros de gestão, aqueles com data marcada, convocação via Outlook e meia dúzia de gestores envolvidos, vemos que são raras as empresas que conhecem exatamente e perseguem as suas prioridades estratégicas.

Pois então… qual é a prioridade estratégica que merece a “ficha número um” da discussão da reunião mensal dos gestores? Para respondermos isso, precisamos antes responder: qual é a minha estratégia (em números!) e o que está me afastando disso (em números!)?

A definição da estratégia é tarefa do proprietário da empresa, seja na figura do dono, seja no conselho de administração dos acionistas. É comum que ela busque remunerar o dinheiro investido, gerar mais dividendos, tornar a empresa mais valiosa, ou tornar a empresa relevante no seu mercado. Porém, a estratégia apenas em sua forma subjetiva, em uma frase, é insuficiente. É necessário que se saiba quanto (faturamento, resultado, retorno) e quando (neste ano, nos próximos cinco anos).

Com isso definido, o primeiro passo é acompanhar os números a serem atingidos, seja em orçamento anual ou projeções de planejamento estratégico. O segundo passo, principal para a priorização gerencial, é entender o que está dando errado na execução, ou seja, o que está nos desviando da rota que foi planejada.

A ficha número um da ordem de discussões da reunião vai para o maior desvio negativo, a dois vai para o segundo maior desvio negativo, e assim por diante, independentemente de qual lugar no DRE, fluxo de caixa ou balanço patrimonial ela esteja.

“Na nossa empresa começamos sempre olhando vendas e faturamento!”. Se ali estiver o maior desvio negativo, ótimo. Caso contrário, estamos correndo risco de não deixarmos tempo suficiente (além de atenção e energia) para se falar dos principais problemas da empresa naquele momento.

Participando de encontros desse tipo com frequência, vemos como é fácil perder o foco e acabar gastando uma hora (boa) de reunião tentando prever qual será a cotação do dólar ou quando que as reformas serão aprovadas em Brasília…

A agenda dos encontros de gestão merece critério de ordem e disciplina. É dali que devem sair as ações que levarão – ou devolverão – a empresa ao encontro de sua estratégia. Em um mundo urgente, de mudanças rápidas, saber priorizar e resolver logo é diferencial.

Mauricio Bergamaschi é CM&AA, Especialista em Fusões e Aquisições (Private Capital Markets) pela DePaul University – Kellstadt Graduate School of Business – Chicago, EUA. Formação em economia pela UFRGS. Trabalhou por três anos com finanças corporativas e análise de investimento no Banco Sicredi. Tem mais de 5 anos de experiência em M&A, tendo participado de mais de 10 transações. É sócio da GoCapital partners e atua em projetos de M&A e em empresas investidas.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da B3  ou como recomendação de investimento. A B3 não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.
2017-08-17T20:46:27+00:00 17/08/2017|GoCapital Partners opina|