Maturidade de Compliance: esse tema é pauta na sua empresa?

Por Renato Santos, S2 Consultoria

Estamos em um período político-econômico muito instável, mas ao mesmo tempo transformador no país. Enquanto muitas empresas quebram, outras estão expandindo seus negócios. Ambos os cenários podem ser fruto do planejamento estratégico e de compliance, ou da falta deles.

Gestores de empresas estão cientes de que suas organizações deveriam pautar a tomada de decisões com base em um planejamento estratégico bem delineado. Em grandes corporações, isso já é uma realidade há anos, porém as médias e pequenas empresas ainda carecem desse recurso para tornar seus negócios sustentáveis em longo prazo. O mesmo vale para a área de Compliance, que por sua vez, ainda esbarra em desconfiança sobre sua efetividade nas empresas e é encarada como um departamento que se aplica somente às multinacionais.

Compliance é um assunto que deve ser pauta em empresas de todos os tamanhos, pois faz parte do processo de maturidade organizacional. Mitigar riscos, bem como prevenir fraudes, corrupção e assédio são alguns dos benefícios do compliance, que podem sair mais baratos do que enfrentar uma crise ou um escândalo corporativo. Imagine que uma empresa de médio porte pode não ter os mesmos recursos para superar uma crise que grandes corporações.

Em pesquisa de Maturidade de Compliance no Brasil, promovida pela KPMG, com comparativos de 2015 e 2016, cuja amostra contemplou cerca de 250 empresas de diferentes regiões e com diferentes estruturas, verificou-se que apenas 58% das empresas afirmam possuir mecanismos de gestão de riscos de compliance, enquanto 42% informaram desconhecê-los. Esses dados apontam que, apesar de ser fundamental identificar e monitorar os riscos de compliance, grande parte das empresas ainda não conseguem ser eficientes nesse quesito.

É importante salientar que para que as práticas de compliance sejam efetivas, é preciso que haja a integração com os objetivos estratégicos de negócio e a participação de todos os stakeholders e shareholders no processo. Ao passo em que as empresas trabalham para se tornarem sólidas, a adoção de uma postura transparente e ética não é uma escolha, mas sim uma decisão diretamente ligada à perpetuidade do negócio.

Primeiros passos para implantar um Programa de Compliance

“Não existe corrupção no meu trabalho” ou “Somos todos amigos e assédio (moral, sexual, corporativista) jamais aconteceu na minha empresa” são frases que indicam o quanto você precisa investigar a sua realidade organizacional. Ao identificar que sua empresa realmente precisa implantar um Programa de Compliance, você precisará ter paciência e objetividade nos processos para chegar no nível de alta performance. Há uma jornada de evolução e alinhamento contínuo que sua empresa precisará passar, e quem sabe até de mudança cultural, e isso leva tempo. Caso a sua empresa não tenha nenhuma medida voltada para para a área de Compliance, é possível começar com as seguintes medidas:

  • Desenvolver e divulgar um Código de Ética/ Conduta;
  • Implementar ferramentas de canais de denúncias;
  • Realizar treinamentos para os colaboradores;
  • Aplicar Teste de Integridade no processo seletivo e;
  • Criar Políticas de Punição a atos antiéticos;

Após realizar as primeiras análises, é comum os gestores identificarem que a maioria dos funcionários está desalinhado com a cultura idealizada pela Gestão. Nesses casos, convoque o executivo para uma reunião de planejamento e, juntos, respondam às questões do esquema 5W2H:

Fonte: S2 Consultoria

No processo de implantar cultura ética, a metodologia de pesquisa qualitativa será uma grande aliada. Com base nas experiências de consultoria em Compliance realizadas pela S2 Consultoria, selecionou-se três instrumentos que poderão ajudar a liderança de compliance a levantar dados importantes, que serão aplicados em diferentes fases do processo de implantação de compliance:

  • Questionário Online: abordar temas com questões de múltiplas escolhas e dissertativas;
  • Grupos Focais: fomentar discussão sobre determinados temas por grupos de diferentes níveis hierárquicos;
  • Entrevistas Individuais: convidar funcionários que queiram aprofundar sobre os temas abordados.

O início da implantação de um Programa de Compliance requer dedicação de esforços coletivos. Esteja preparado para enfrentar um dos maiores balizadores: a resistência de algumas pessoas, que passam a questionar o porquê das mudanças. Portanto, se a sua empresa está buscando melhores práticas corporativas, mantenha o foco em elevar o nível de maturidade de Compliance.

Renato Santos é executivo da S2, Advogado, MBA Gestão de Pessoas, Mestre e Doutor em Administração pela PUC-SP. Experiência na área de Compliance em diversas organizações por mais de 15 anos. Professor, colunista e autor do livro “Compliance Mitigando Fraudes Corporativas”, premiado pelo Instituto Ethos e CGU.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da B3 ou como recomendação de investimento. A B3 não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.
2017-08-17T20:39:51+00:00 17/08/2017|Artigo em foco|