Atitudes e Conduta que você não deseja na sua empresa e como evitá-las

Por Renato Santos, S2 Consultoria

A conduta e postura dos seus funcionários e fornecedores se refletem diretamente na cultura da sua organização. Por vezes, a prática do assédio se desenvolve pelo exemplo dos superiores ou, ainda, a infração de atos ilícitos é uma reação em cadeia: o novato tem medo de informar a fraude daqueles que estão há mais tempo na empresa, logo entra no esquema.

Questionar-se sobre suas próprias atitudes, enquanto líder, é o primeiro passo para estabelecer a mudança que você espera no ambiente organizacional. Não raro, sua agenda é lotada, sua caixa de e-mail dificilmente está em dia e você faz refeições correndo em frente ao computador para ganhar tempo em outras atividades. No entanto, esse espírito empreendedor de fazer muitas coisas ao mesmo tempo não está na veia de todos ao seu redor e, fatalmente, você vai se decepcionar com pessoas ao longo da sua jornada.

Cuide das suas atitudes!

Seu cansaço e irritação podem estar abrindo portas para provocação, ridicularização, gozação e desqualificação, o que realizados frequentemente, caracterizam-se como assédio moral, sexual ou até corporativismo. A pressão que você sofre para expandir seus negócios, melhorar seu caixa e apresentar resultados cada vez melhores, também pode ser uma brecha para pequenos deslizes morais em relatórios e auditorias.

Com o tempo, essas práticas se tornam uma bola de neve. Por isso, a oportunidade é uma das 5 vertentes do Pentágono da Fraude e merece uns minutos da sua atenção.

A primeira condição que o fraudador precisa para fraudar é ter a oportunidade.

A oportunidade não é uma causa isolada, está vinculada a uma série de fatores que, como citei a cima, é intrínseca à cultura organizacional. Parafraseando o ditado popular “a ocasião faz o ladrão”, isso não necessariamente se aplica à “oportunidade faz o fraudador”, caso contrário estaria insinuando que qualquer pessoa, ao encontrar uma carteira esquecida em cima da mesa de reuniões, a furtaria sem pensar duas vezes.

Hipótese inadmissível, certo? Porém, cada pessoa que circula na sua empresa possui criação familiar e educação completamente diferentes. Fatores ambientais podem ser determinantes na análise de oportunidades para o fraudador.

Em meus últimos artigos, citei a pressão e a racionalização como influenciadores da fraude, que serão decisivas ao constatar se há ou não, uma real oportunidade para fraudar em determinada situação. Pode parecer bobo, mas vou apresentar um exemplo real de fraude, aparentemente inocente:

Você determinou, nas políticas de compras da sua empresa, que são obrigatórias três cotações no processo concorrencial. No entanto, o setor já estabeleceu parceria com alguns fornecedores e provavelmente, eles serão sempre os selecionados. Qual a saída? O funcionário precisará burlar o processo concorrencial apenas para cumprir a política.

Leia o depoimento de um fraudador confesso:

“Algumas vezes, abrimos o preço para a concorrência ganhar… fazemos isso para ficar com o fornecedor que confiamos…”

Ao estabelecer um ambiente regulado, com controles internos, projetos de melhoria contínua, sistemas de detecção e Programas de Compliance efetivos, provavelmente serão minimizadas as ocorrências de fraudes, corrupção e até mesmo assédio.

O problema do “falso controle”!

As oportunidades para atos ilícitos são comumente sustentadas por “falsos controles” decretados pelas empresas. Logo, ao invés de ter ferramentas ilusórias de controle é preciso investir em práticas efetivas de compliance. Já conversei com diversos gestores que preferem evitar controles precisos, pois negligenciam que há irregularidades em sua empresa/gestão.

Quando desenvolvi meu estudo de doutorado, constatei que a fraude permeia entre 5 vertentes, que compõem o Pentágono da Fraude. São elas:

*Pressão

*Racionalização

*Oportunidade

*Capacidade

*Disposição ao Risco

Acredito que o Pentágono da Fraude é uma metodologia efetiva porque o objetivo é mapear a pré-disposição de um funcionário a atos ilícitos, com foco na dimensão humana do risco. Os resultados servem para a empresa conhecer o perfil ético do funcionário e não para descriminar ou julgar fraudadores.

Clique aqui e acesse mais informações sobre a metodologia.

Renato Santos é executivo da S2, Advogado, MBA Gestão de Pessoas, Mestre e Doutor em Administração pela PUC-SP. Experiência na área de Compliance em diversas organizações por mais de 15 anos. Professor, colunista e autor do livro “Compliance Mitigando Fraudes Corporativas”, premiado pelo Instituto Ethos e CGU.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da B3  ou como recomendação de investimento. A B3 não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.
2017-08-17T21:45:22+00:00 17/08/2017|Artigo em foco|