O Novo Mercado fora da Bolsa

Por Carlos Morais, cm@gocapitalpar.com

Visando à evolução do mercado de capitais brasileiro e o aumento da sua atratividade para novos investidores, desde o ano 2000, a BM&FBOVESPA, hoje B3, tomou como medida implantar níveis diferenciados de classificação das companhias de acordo com as práticas de governança corporativa adotadas.

Neste sentido, desde então, foram instaurados 5 níveis de governança corporativa – o Bovespa Mais, o Bovespa Mais Nível 2, o Nível I, o Nível II e o Novo Mercado, sendo este último dotado dos padrões mais elevados.

O Novo Mercado é um selo que pode ser traduzido como um conjunto de práticas adotadas para dar mais transparência na gestão da companhia e maior segurança aos acionistas minoritários. De forma análoga, é possível dizer que empresas de capital fechado, independente do seu porte e atividade, também podem aderir ao “Novo Mercado”, visto que qualquer uma pode mirar as melhores práticas e implementá-las na sua organização.

Diferentemente das empresas de capital aberto, que precisam preencher inúmeros requisitos para estarem listadas na bolsa e, mais ainda, para integrarem algum dos níveis diferenciados de governança corporativa, as empresas de capital fechado, independente do seu porte ou atividade, podem manter uma conduta muito mais flexível no que diz respeito às regras de compliance, transparência e até mesmo responsabilidade social ou ambiental. Entretanto, no vasto universo das empresas de capital fechado, também é possível se diferenciar através da adoção de boas práticas de governança corporativa.

Algumas medidas, cujas implementações são relativamente simples e não oneram a empresa, já podem ser suficientes para trazer mais transparência à gestão e deixar todas as camadas da organização (acionistas, executivos e demais funcionários) mais alinhadas com as diretrizes estratégicas da empresa. Algumas dessas medidas são elencadas abaixo:

– Manter a contabilidade condizente com a realidade da empresa e não apenas usá-la para fins meramente fiscais;

– Instaurar comitês estratégicos, envolvendo tanto sócios como pessoas chave da empresa;

– Separar o patrimônio dos sócios do patrimônio da empresa;

– Emitir relatórios financeiros periódicos que mostrem a evolução da empresa e possam ser compartilhados com instituições financeiras.

A adoção dessas medidas requer certa disciplina por parte do empresário e do corpo diretivo da empresa, entretanto, o seu reflexo na capacidade de antecipar desvios na gestão, no custo de captação de recursos (menores taxas de juros) e, até mesmo, no valor da empresa, certamente compensam. Empresas que adotarem estas práticas também estarão um passo a frente na visão de diversos grupos de investidores, tais como fundos de investimento ou investidores anjo. Embora a bolsa de valores ainda possa estar um pouco distante para muitas empresas, um “Novo Mercado” é possível mesmo fora dela e os efeitos na percepção de valor sobre a companhia podem ser igualmente significativos em ambos os casos.

Carlos Morais é graduado em Administração de Empresas, com especialização em gestão de risco. Foi sócio da Guapo Capital Group e sócio fundador e CFO da M&V Participações. Possui mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, tendo se dedicado a M&A nos últimos 6 anos. É sócio fundador das Go Capital Partners e atual líder do projeto de fusões e aquisições.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da B3 ou como recomendação de investimento. A B3 não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.
2017-06-22T21:26:54+00:00 22/06/2017|GoCapital Partners opina|