Simplificando a educação no mercado financeiro

No texto abaixo, o time da EBDI, parceira da B3, entrevista Romain Mallard, Head de Operações no Brasil da CrossKnowledgeum dos líderes globais em soluções de educação corporativa digital. Ele tem mais de 15 anos de experiência no desenvolvimento de negócios, no mercado brasileiro, de tecnologias educacionais. Confira como foi o bate papo!

EBDI: No recente infográfico divulgado pela CrossKnowledge, vocês afirmam que Gamificação e Personalização foram tendências constatadas ao longo de 2016, com um grande potencial de crescimento nos próximos anos. Como você enxerga a utilização da Realidade Virtual como ferramenta para intensificar estes dois pontos?

Romain: Gamificação e Personalização são realidades constatadas em muitas empresas. São métodos que vão além da aprendizagem linear, tornando possível desenvolver um conteúdo altamente relevante e direcionado para o usuário. Porém, são tantos os conteúdos relevantes que acontecem dois fenômenos: o primeiro deles é que a pessoa fica deslumbrada, e o segundo é que ela não sabe por onde começar.

É por isso que a plataforma busca simplificar a experiência para o usuário. Por meio de algoritmos, conseguimos identificar o que é mais indicado para cada demanda, de acordo com o perfil, localização e tempo disponível para realização dos treinamentos. Isso também nos possibilita traçar uma jornada do usuário, para que ele sempre encontre treinamentos que sejam de seu interesse e necessidade.

Já o advento da realidade virtual, eu comparo com o lançamento dos primeiros celulares, no final dos anos 90 e início de 2000. Era uma tecnologia que não sabíamos se daria certo. Apesar de sabermos que existem aplicações com foco no desenvolvimento pessoal, também sabemos que não é fácil o seu desenvolvimento como ferramenta. É um nicho pequeno em termos de aprendizado online.

EBDI: Em pesquisa recente, foi constatado que 57% dos aparelhos celulares no Brasil já são smartphones, o que amplia consideravelmente a oferta e o acesso às plataformas mobile de desenvolvimento. Esse cenário pode favorecer as empresas que buscam soluções em mobile development, do ponto de vista do retorno financeiro?

Romain: Com certeza! Desde que o uso das novas tecnologias foi massificado, a questão do dispositivo é determinante para facilitar o acesso. Com o crescente número de uso dos smartphones, as pessoas ficaram mais imediatistas. Cerca de 30 a 40% dos nossos acessos são feitos via mobile e isso garante uma ótima relação ganha-ganha.

A corporação ganha flexibilidade, agilidade e economia nos investimentos, e os usuários – até em plataformas offshore – conseguem realizar os treinamentos, pois existe a possibilidade de assistir aos conteúdos em modo off-line.

Um exemplo muito bom sobre esta relação é o varejo: As empresas possuem muitas lojas, dispersas geograficamente, e a maioria dos seus estabelecimentos tem poucos computadores aptos para suportar suas operações. Por isso, os lojistas não podem utilizá-los para realizarem seus treinamentos. Contudo, eles utilizam o mobile para acessarem os treinamentos de seus próprios devices. Eles são usuários intensos e enxergam o e-learning como algo chato, enquanto o mobile é visto como algo mais interativo.

EBDI: Outro ponto que facilitou o acesso às plataformas mobile de T&D foi a massificação da rede 4G, que cresceu 180% entre 2015 e 2016. Como as empresas podem aproveitar essa ampliação da rede de Internet 4G para a criação de conteúdo compartilhado junto aos seus colaboradores?

Romain:  O brasileiro tem noção do quão complexo é o processo de aprendizagem e, por isso, a maioria das pessoas são participativas em plataformas de T&D, compartilhando experiências com os demais envolvidos. Mas, ainda assim, as companhias têm um grande desafio: manter o foco na estratégia do negócio.

É interessante ter uma curadoria de conteúdo e trabalhar com diferentes categorias de usuários como líderes e moderadores das conversas. O papel dessas duas categorias é justamente fazer o link entre o conteúdo e o dia-a-dia dos usuários, focando na sua aplicação prática, além de trazer provocações para que o usuário dê feedbacks contínuos de sua experiência.

Quando colocamos essa dinâmica em prática, enxergamos resultados, porque muitas vezes o usuário acessa ao conteúdo, concorda com o que lê, mas não aplica. Quando ele tem exemplos práticos, porém – por exemplo, para reunião de feedback – existe um roteiro; uma simulação para que ele aja como se estivesse em uma reunião de feedback, e depois tem a oportunidade de explorar o que estava correto e identificar pontos de melhoria.

Mais importante do que capacitar, é acompanhar. Durante o processo de aprendizagem, a pessoa precisa de orientação, oportunidades de praticar e, principalmente, precisa errar: admitir os erros é o primeiro passo para consolidar a aprendizagem!

EBDI: Um ponto muito discutido entre os líderes de T&D nas organizações é acerca do embate entre RH e Finanças sobre os orçamentos destinados à inovação em Educação Corporativa. Afinal, isso é um gasto ou um investimento? Como comprovar o ROI destas práticas junto ao CFO e, principalmente, junto ao CEO?

Romain: Essa é uma questão recorrente e defendida sistematicamente. Mas é preciso entender os dois lados: o problema do negócio e como ele será resolvido. Tendo essas duas respostas claras, a defesa do ROI fica mais evidente, quando comparada a receita da companhia.

É preciso ter claro também qual é o retorno esperado. Um grande problema do mercado é que, por natureza, ele é orientado por ofertas. A CrossKnowledge por exemplo, tem uma linha mais consultiva, ou seja, o objetivo em primeiro lugar é entender a realidade do negócio, para só então oferecer a solução, demonstrando como eles atingirão os objetivos.

EBDI: Um dos termos mais usados entre os líderes de T&D recentemente foi o MOOCs, onde vemos o Cousera, Udacity e as mais tradicionais universidades mundiais (Stanford, Harvard) oferecendo cursos gratuitos. De que maneira as empresas podem se aproveitar dos MOOCs para ampliar os resultados dos programas de T&D?

Romain: Você já inscreveu em um MOOC? Os Massive Open Online Course têm vários pontos interessantes! A sua proposta é capacitar muitas pessoas com um mesmo processo, em um ambiente de aprendizagem virtual e gratuita. São abertos e permitem que o usuário trabalhe muitos temas. Apesar dos muitos benefícios apresentados, as taxas de conclusão deixam a desejar.

Esse é o grande problema dos MOOCs: se a pessoa não estiver focada, ela pode desistir logo no início. Recomendo um forte acompanhamento, até porque, quando a companhia propõe algo, além de desenvolvimento do usuário, ela pensa nos seus objetivos, e essa amplitude impede bons resultados. O foco precisa estar alinhado aos objetivos do negócio.

EBDI: Novamente citando o infográfico que a CrossKnowledge divulgou, vocês afirmam um grande crescimento no social learning, onde a figura de “alunos” e “professores” se misturam. Como isso poderá diminuir os custos das empresas no desenvolvimento de conteúdos?

Romain: Isso poderá diminuir os custos da empresa substancialmente, pois você consegue, sem ter uma figura formal do professor ou do aluno, aproveitar a expertise e dinamismo de quem já está na companhia e transmitir o conteúdo de forma que os outros assimilem, colocando exemplos práticos do dia, desenvolvendo uma governança de acompanhamento e métricas que mostrem a evolução do aprendizado.

As plataformas de social learning criam um ambiente de compartilhamento onde as pessoas participam de forma voluntária, além de conseguir conectar as pessoas certas com os mesmos objetivos, promovendo resultados positivos em tempos mais curtos. Ele não cria apenas um ambiente virtual, mas sim um espaço para manter as trocas, as taxas de uso e, principalmente, uma governança de acompanhamento dos resultados e treinamentos.

EBDI: Por outro lado, a customização de conteúdo mostra-se como o caminho a ser seguido por grande parte das empresas, pois aumenta o engajamento dos colaboradores e, consequentemente, os resultados apresentados durante e após os treinamentos. O que você pode comentar a respeito disso?

Romain: Nesse sentido, todos nossos treinamentos são customizados! Esse é um dos principais aspectos que nos diferenciam no mercado. As pessoas buscam soluções da forma mais adequada e, quando você envolve o usuário final, ele se sente parte do processo que constrói o aprendizado, e isso reflete diretamente no engajamento.

Hoje, as pessoas enxergam os treinamentos como um benefício, mas fazer parte da construção do conteúdo também proporciona um sentimento de reconhecimento! Nós já acompanhamos muitos depoimentos onde as pessoas relatam que esse engajamento se traduz não só em sua passagem pela empresa, mas também ajuda na carreira e vida pessoal.

EBDI: Vemos muitas empresas da indústria e varejo apostando no estabelecimento das Universidades Corporativas. Quais são os outros setores da economia nacional que você vê maior adesão a este modelo de desenvolvimento?

Romain: Atualmente, acredito que todos os segmentos estão olhando com atenção para este tema. Na CrossKnowledge, atendemos clientes em diversos segmentos, como serviços, saúde, finanças, energia, serviços públicos, entre outros.

Hoje, a maioria das empresas entende que o desenvolvimento de seu colaborador está intimamente ligado com o resultado da companhia. E não é só isso: existe também uma pressão de mercado e dos colaboradores, que buscam por crescimento profissional e entendem que, para que certas competências sejam desenvolvidas adequadamente, é necessário treinamento formal. O próprio usuário sente falta e acaba demandando isso à companhia.

Acredito que as empresas que ainda não pensam nisso deveriam se preocupar, pois as empresas com resultados mais expressivos buscam desenvolver continuamente seus colaboradores.

EBDI:  Nos últimos anos, vimos diversas empresas abrindo o capital em bolsas de valores, desde empresas familiares até startups com atuação em diferentes esferas. Como as inovações em T&D podem colaborar para que o retorno financeiro para os acionistas seja mais claro (em termos de resultados) e robusto?

Romain: Essa questão tem um fator paradoxal: o que hoje valoriza as empresas são fatores intangíveis. Por isso, para o processo de valorização, a empresa precisa demonstrar que domina o capital humano e que está pronta para se transformar, crescendo em resultados.

As inovações em T&D podem colaborar na preparação desse capital humano. Por meio da estruturação clara de processos, metodologias e tecnologias, as companhias conseguem demonstrar seu valor para os colaboradores, tornando-se empresas que atraem pessoas realmente dispostas a entregarem os melhores resultados.

EBDI:  Para finalizarmos, a pesquisa mostra que, até 2021, os investimentos em LMS serão triplicados, se comparado aos valores investidos em 2016, o que nos mostra o potencial que as inovações em T&D ainda podem alcançar. Juntando isso ao momento de retomada na economia nacional, qual mensagem você deixaria para os líderes de RH que estão planejando ou revendo seus planos em Educação Corporativa?

Romain: Hoje, vemos tanto no mercado global como no mercado nacional, um incremento substancial nos investimentos em tecnologia em todos os campos. Quando falamos em tecnologia para Educação Corporativa, porém, sabemos que é preciso estarmos cientes de que não basta medir apenas o nível dessa tecnologia, mas sim o conteúdo apresentado por tal solução. Com a retomada na economia nacional, será preciso cada vez mais investir na experiência do colaborador.

Isso porque o que ele aprende – ou deixa de aprender – influencia não apenas em seu comportamento, mas também nos resultados e indicadores de Recursos Humanos. Com isso, digo que é fundamental olhar para o usuário final, ficar atento a sua jornada de treinamento, pois isso impacta o RH como um todo: clima organizacional, recrutamento, seleção, retenção e atração de talentos, e também a imagem da companhia que se forma e é transmitida por ele.

 

Este texto reflete as opiniões dos participantes e não deve ser interpretado como opinião da B3  ou como recomendação de investimento. A B3 não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.

 

2017-04-26T00:23:56+00:00 26/04/2017|Vitrine da B3|