Empreendedor, você sabe utilizar ferramentas de compliance? 

Por Renato Santos, S2 Consultoria

Ética, assédio e fraude são temas sobre os quais cada vez se fala no universo corporativo. E isso é ótimo, pois quanto mais falarmos, mais próximos de evitá-los nós estamos.

O que pouco se fala, porém, é sobre as ferramentas de compliance como aliadas no processo de prevenção de dilemas éticos. Em grande parte dos casos, as organizações apenas apagam incêndios, com perdas financeiras e, por vezes, um investimento altíssimo para (tentar) reconstruir a reputação.

As ferramentas de compliance devem ser utilizadas em processos seletivos, antes mesmo da contratação de funcionários/fornecedores, e também nos processos de desligamento. Elas oportunizam que o profissional de RH ou até mesmo os gestores, identifiquem o potencial de desvios de comportamentos e a partir desses dados, estruturem ações de prevenção para problemas éticos e morais que podem ocorrer nos negócios.

Pentágono da Fraude: uma metodologia para definir as suas ferramentas de compliance

Um dos modelos de prevenção que defendemos na S2, enquanto especialistas em Compliance com foco na dimensão humana do risco, é o Pentágono da Fraude. Essa metodologia partiu do meu estudo de doutorado e visa identificar estratégias capazes de dissuadir a pessoa em sua tomada de decisão. Consequentemente, o RH poderá mapear o DNA ético do seu futuro colaborador e desenvolver a sua resiliência ao se deparar com dilemas do dia a dia.

Para predizer uma fraude, ou seja, para saber o potencial dela ser cometida, é necessário que o fraudador cumpra com cada uma das 5 vertentes a seguir:

1 – Pressão: o profissional está sob pressão para resolver uma situação ou problema, onde qualquer solução é considerada.

2 – Racionalização: o profissional precisa abrir mão dos seus valores e conscientemente racionalizar que vai cometer a fraude.

3 – Oportunidade: para cometer uma fraude, é preciso ter acesso ao permeio da empresa, entender os controles internos, os furos de ausência de auditoria e falta de capacitação das equipes.

4 – Capacidade: o profissional conhece os caminhos e tem poder dentro da organização para tomar certas decisões que facilitam cometer a fraude.

5 – Disposição ao risco: é preciso estar disposto a correr o risco de cometer a fraude e ser apanhado. Embora reconheça essa possibilidade, o fraudador aceita-o e segue em frente.

Hoje e nos próximos textos vou trazer mais detalhes de cada uma destas vertentes, começando pela Pressão.

Pressão: quando a busca por qualquer solução é a porta de entrada para o assédio moral e a corrupção.

A pressão está presente em todos os níveis hierárquicos das organizações. No entanto, nos cargos mais altos, essa pressão aparece de forma mais frequente, uma vez que a maioria das empresas tem um sistema de governança forte no operacional. Um dos caminhos para se evitar que a vertente da Pressão ganhe força, é trabalhar a governança corporativa no que diz respeito à gestão, controle e mensuração de todos os processos que envolvem seus pilares: equidade, transparência, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

Pode parecer caro fazer esse investimento, mas o primeiro passo é capacitar os agentes de governança com treinamentos específicos na área de compliance. A mentalidade de trabalho precisa ser transformada, antes de qualquer tomada de decisão de compra de software, pois são as pessoas que irão administrá-los.

Outro fator importante a considerar é a pressão da recompensa versus a punição. Muitas vezes, a intenção do profissional não é mentir para corromper, mas para apresentar resultados positivos aos gestores. O mesmo ocorre ao contrário, assédio moral por parte dos gestores, em virtude da cobrança dos seu superior, por resultados a curto prazo. E como proceder para evitar esses casos? Testes de Integridade devem ser aplicados aos funcionários para identificar seu perfil comportamental e o Código de Ética e de Conduta corporativo precisa ser bem estruturado e constantemente reforçado em campanhas de comunicação organizacional.

Os valores da empresa precisam estar presentes no cotidiano de forma efetiva, além de existir um canal de denúncias frequentemente monitorado. Ética organizacional faz parte de um processo de educação mental do ecossistema que envolve as empresas, por isso o fator humano é tão determinante na prevenção.

Para saber mais sobre ferramentas de compliance, clique aqui.

Renato Santos é executivo da S2, Advogado, MBA Gestão de Pessoas, Mestre e Doutor em Administração pela PUC-SP. Experiência na área de Compliance em diversas organizações por mais de 15 anos. Professor, colunista e autor do livro “Compliance Mitigando Fraudes Corporativas”, premiado pelo Instituto Ethos e CGU.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da B3 ou como recomendação de investimento. A B3 não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.
2017-04-26T00:43:42+00:00 26/04/2017|Artigo em foco|