Edu Bezerra: o empreendedor que tem a meta de conhecer uma pessoa por dia

Por Adriana Barreto, adriana.barreto@b3.com.br

Atuando na área de relacionamento com empresas, somos privilegiados por conhecer diversos negócios, executivos e empreendedores. Além disso, temos também bastante contato com empresas que assessoram essas companhias em seu crescimento: bancos, auditores, advogados e consultores, por exemplo. Ano passado, conheci um profissional que me chamou a atenção: à frente da Exection, uma “impulsionadora de negócios”, segundo a definição do próprio, o Edu, além de atuar como prestador de serviços, tem um espírito empreendedor, colaborativo e positivo.

Neste texto, vocês terão a oportunidade de conhecer a história dele e razões que o levaram a empreender.

[Adriana Barreto] Edu, conte um pouco da sua experiência profissional e de como chegou ao momento de fundar a Exection

[Edu Bezerra] Desde criança, sonhava em trabalhar em alguma montadora de automóveis, tendo em vista a minha paixão por carros. O meu pai sempre foi o meu mentor e conseguiu que eu falasse com alguns engenheiros. Foi um tiro certeiro, prestei vestibular para a FEI e, aos 16 anos, ingressei na faculdade. Tinha e tenho uma grande consideração pelos esforços dos meus pais e, nada mais justo, do que dar o retorno para eles sendo o aluno nº 1 na engenharia de produção mecânica, depois de 5 anos de muito estudo e dedicação.

Aos 18 anos, estava na Volkswagen, lá fiquei por 1 ano e meio. Como não existia um programa de estágio naquela época, o meu supervisor permitiu que eu criasse. Solicitei o organograma da empresa, e é claro que ele se assustou, então argumentei: “Um excelente engenheiro precisa conhecer todas as áreas e pessoas com quem nos relacionamos”. O programa foi aprovado na hora e foi aí que, provavelmente, a chama do empreendedorismo foi acesa de vez.

No meu último ano de faculdade, perguntei ao meu supervisor se existiria alguma possibilidade de efetivação e ele, de forma transparente, sugeriu que eu aquecesse a minha rede. Como já era de praxe, sempre gastei menos do que ganhava, tinha uma poupança, então fui para o Canadá. No meu retorno, busquei novos programas para trainees. Fui aprovado em um grande banco e em uma organização chamada FDG. Escolhi a segunda, sabendo que ganharia financeiramente ¼ se comparado à primeira oportunidade, porém teria toda a base para realizar um dos meus sonhos: “Ser um excelente executivo”.

Grata coincidência, a FDG foi a primeira organização do Prof. Vicente Falconi. Logo no primeiro ano, participei de 8 projetos em diferentes empresas. Foram 6 anos e mais de 40 projetos com muitos desafios e aprendizados em diversas áreas de conhecimento: Finanças, RH, Operações, Comercial. Conheci a Endeavor, planejamos e implementamos o PEG – Programa de Excelência Gerencial – e, a cada dia, os sinais de empreendedorismo ficavam mais evidentes.

A FDG finalizou as operações em São Paulo, parte da equipe foi para o Blue Tree Hotéis, fiquei por lá mais 1 ano e aprendi muito sobre excelência no atendimento. Na sequência, essa mesma equipe foi para a Microsiga e, com o meu conhecimento em diversas áreas, acabei compondo a equipe de vendas de soluções de gestão empresarial. Ao final me tornei o executivo responsável pelas vendas de projetos de consultoria.

[AB] O que te motivou a empreender?

[Edu] Em 2007, a equipe, que vinha sendo formada desde 1999, começou a se desmanchar, cada um indo para um lado e pensei: “Não vou desistir”. Em meados desse mesmo ano, a empresa que eu estava tomou novos rumos. Resolvi sair, porém ao conversar com o meu gestor imediato, ele me pediu para ficar. Como não queria fechar as portas e também por que desejava, legitimamente, ajudar, fiquei por mais 6 meses.

Lembro como se fosse hoje: era uma sexta-feira e, até então, não havia comunicado para ninguém. Estava saindo da empresa e do estacionamento e, como nada é por acaso, recebo uma ligação de um grande amigo, o Wilson Poit. Ali iniciou o meu primeiro projeto como empreendedor, não tinha equipe e a empresa sequer tinha um nome.

De lá para cá, 10 anos se passaram. Em média, 20 empresas são atendidas por ano, com foco específico em controles para tomada de decisão em todos os níveis organizacionais e melhorias nos processos, com foco na potencialização dos recursos utilizados e em deixar tando as atividades das pessoas, quanto os sistemas, mais fluídos.

2006: Edu, no escritório da Totvs

2008: Primeiro escritório

[AB] Poderia compartilhar conosco um momento de dificuldade que passou como empreendedor e o que você fez?

[Edu] Em 2014, já na Exection, entramos em uma crise existencial: Não sabíamos muito bem 1) no que éramos bons, 2) em que errávamos, 3) como o mercado nos reconhecia e 4) o que os nossos funcionários e sócios realmente possuíam como sonho. Foi um baque!

Iniciamos, então, um processo de implementação de uma cultura interna e branding com uma pessoa externa e, após 8 meses de análises, entrevistas com clientes, ex-clientes e toda a equipe interna, chegamos à conclusão de que éramos uma Impulsionadora de Negócios: uma boutique totalmente focada em Controles e Processos.

[AB] Suponho que empreender abra muitas portas. Quais as vantagens em tocar o próprio negócio?

[Edu] Sim, abrem-se diversas portas, desde que você, como empreendedor, legitimamente, esteja disposto a realizar um sonho. Como toda escolha, existem diversas renúncias e, para empreender, deve-se escolher e acertar mais do que errar.

E, como todo sonho, as dificuldades, as decepções, a vontade de desistir, a solidão, e diversas outras barreiras virão para testá-lo, se você realmente está disposto a vivenciar o sonho de empreender.

Quando você empreende, não existe sábado, domingo, feriado, noite ou dia, e sim muito trabalho e felicidade para que a jornada seja trilhada e o sonho cada vez mais próximo.

2010: Edu em palestra na Universidade Presbiteriana Mackenzie

[AB] Falando em gestão de pessoas: como é ser o dono/chefe e motivar as pessoas, seus funcionários, para que eles te ajudem em prol do crescimento do negócio?

[Edu] Acredito que este seja o maior desafio: motivar a todos os envolvidos. Quando empreende e possui sócios, sempre existirá o desafio de alinhamento de expectativas em todas as direções, ou seja, com a equipe interna e com os sócios.

Algo que aprendi em se falando de funcionário: precisamos contratar pessoas alinhadas com a cultura da empresa, caso contrário perdemos energia.

Quanto aos sócios, é importante, principalmente, alinhar qual é o sonho deles, conciliar com todos os demais sócios e combinar tudo antes, redigindo um excelente acordo de acionistas.

[AB] Quando as coisas não saem como você planejou, com quem você pode contar?

[Edu] Fui presenteado, ao longo dos anos, com diversas pessoas que são os meus mentores, pessoas que admiro. Possuímos um encontro rotineiro, mesmo que não seja, necessariamente, para falarmos sobre a empresa.

Gosto e respeito muito as visões de fora, por diversas vezes estamos mergulhados em um determinado assunto e não enxergamos alternativas.

2013: Edu, evento da Ancham

[AB] Sobre gestão: qual é a maior dor dos empresários brasileiros quando o tema é gestão empresarial?

[Edu] Ouço, de forma rotineira e sistêmica, que ser empreendedor no Brasil é se sentir sozinho, desamparado. É tomar decisões que, por muitas vezes, são embasadas no sentimento e que, possivelmente, não agradem todos. É correr riscos em prol de um sonho.

Outro ponto relevante é a elevada carga tributária no nosso país. Um sonho que espero ainda vivenciar é que o nosso Presidente da República seja um empreendedor na sua essência.

2015: Edu em evento da SNI

[AB] Você gostaria de trabalhar na sua própria empresa, a Exection, e ser funcionário do Edu?

[Edu] Por onde olho, enxergo oportunidades e ensino os dispostos a enxergar. Gosto de gerir pelo exemplo, sou um eterno otimista, admiro pessoas que não medem esforços para alcançar os seus sonhos, admiro ainda mais pessoas que possuem “berço”, ou seja, caráter, ética.

Possuo um propósito de vida que se resume: “O melhor resultado acontece quando todos em um grupo fazem o melhor por si próprio (Adam Smith) e pelo grupo (John Nash), conectados por um único propósito e valores (Edu Bezerra)”.

Fundei a Exection para perpetuar e estou preparando-a para que outras pessoas assumam. Sem dúvida, trabalharia na Exection, quer seja como funcionário ou sócio.

[AB] Qual é o papel da Edu e da Exection na transformação do Brasil?

[Edu] Adorei esta pergunta! Queremos construir um legado e não somente deixá-lo. Queremos construir relacionamentos sólidos com pessoas que acreditam no que acreditamos, auxiliando os empreendedores e gestores nas tomadas de decisões através de controles confiáveis e processos ajustados à realidade. Queremos simplificar a vida das pessoas para que utilizem mais a inteligência do que o braço, focando na perenidade das organizações e geração de mais empregos para aqueles que realmente querem se esforçar para construir um Brasil melhor. Queremos estar junto com os empreendedores e executivos, apoiando-os e minimizando o sentimento de que estão sozinhos.

2016: Edu no Espaço Raymundo Magliano Filho, situado no prédio da Bolsa

Este é o Edu, um empreendedor incansável que tem a meta de conhecer ao menos uma pessoa por dia. Aumentando a sua rede de relacionamentos, o Edu acredita na colaboração entre as pessoas e na potencialização da atuação de todos! Quer conhecer o Edu? entre em contato com ele, basta clicar aqui.

Sobre o Edu: impulsionador fundador da Exection Impulsionadora de Negócios, atua nesta área desde 1999. Já exerceu cargos executivos, possuiu experiência em consultorias como Falconi e TOTVS, é empreendedor, é colunista e voluntário Endeavor, faz parte dos grupos de empreendedores Virtvs e Conexão de Pontos, escritor de artigos e palestrante. Planejou e executou projetos de impulsão de negócios em diversos segmentos e tamanhos de organizações, possuindo destaques para: e-commerce, manufatura, energia, bancos, saúde, logística, tecnologia, comunicação e mídia, entretenimento, luxo, educação, turismo e automotivo. Graduado em engenharia de produção, mecânica (FEI), CBA em Finanças (Ibmec), cursos de especializações em vendas Spin Selling®, Stadium Gorilla®, estatística black belt (FDG).

Sobre a Adriana: integra a Superintendência de Prospecção de Empresas da B3, empresa fruto da união entre  BM&FBOVESPA e Cetip, desde Jan/13. Nessa função, é responsável pelo relacionamento com as empresas que ainda não estão listadas em bolsa de valores, desenvolvendo atividades voltadas à capacitação empresarial e à preparação para abertura de capital. Gerencia ainda o canal de comunicação virtual da Bolsa com esse público, o Vem pra Bolsa. Atuou também nas áreas de Desenvolvimento de Negócios da EY e do Banco Santander. Possui 8 anos de experiência na área de novos negócios, 6 deles dedicados ao relacionamento com pequenas e médias empresas. Possui MBA em Economia Empresarial (USP), graduação em Relações Internacionais (UNESP) e cursos de especialização em Vendas & Marketing (ESPM) e Administração (FGV).

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da B3  ou como recomendação de investimento. A B3 não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.
2017-04-20T18:17:04+00:00 13/04/2017|Vitrine da B3|