Como mensurar a geração de valor de uma companhia

Por Camila Perez, cp@gocapitalpar.com

Quando se pensa na saúde financeira de uma empresa, uma série de indicadores convencionais vem à mente. EBITDA, lucro líquido, lucro por ação, retorno sobre o patrimônio (ROE) e muitos outros indicadores, amplamente utilizados pelo mercado financeiro, são bons instrumentos de análise, no entanto, não são eficientes no sentido de medir a geração de valor das empresas.

Para enxergar a geração de valor, deve-se ter como foco o acompanhamento do retorno sobre o capital investido (ROIC) e do custo médio ponderado de capital (WACC). Dessa maneira, procura-se identificar se a empresa está gerando, no mínimo, um lucro capaz de remunerar o capital total investido. O objetivo dos gestores deve ser desmembrar os componentes desses indicadores ao nível mais analítico possível para que então seja feita uma investigação profunda do comportamento de cada um deles. No momento em que é identificado o que está contribuindo para a criação ou destruição de valor da companhia, é possível traçar uma estratégia com muito mais clareza e objetividade.

Uma vez estabelecida uma estratégia e uma meta global, essa análise deve ser feita para os diferentes segmentos da companhia e deve ter como derivada a criação de metas para cada um deles. O acompanhamento pode ser feito por meio da construção de indicadores-chave de desempenho (Key Performance Indicator – KPIs) que sejam apropriados para cada atividade. É importante que a criação dos KPIs seja feita em grupo e que os executores de cada atividade se sintam responsáveis pelas metas estabelecidas. Os KPIs são uma forma de orientar a gestão e manter todos os membros da companhia alinhados, além de permitirem enxergar se o negócio como um todo está caminhando de acordo com a estratégia definida ou não.

O acompanhamento dos KPIs dá maior visibilidade aos gestores e conselheiros da companhia, e deve tornar-se parte da rotina de todos. Nem sempre resultados contábeis positivos garantem a geração de valor. Ter os instrumentos adequados para compreender o que afeta esse processo é o que permite uma tomada de decisão mais acertada.

 

Camila Perez é graduada em Economia pela UFRGS, com extensão na Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos. É sócia da Go Capital Partners.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da BM&FBOVESPA ou como recomendação de investimento. A BM&FBOVESPA não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.

 

 

2017-02-17T17:11:54+00:00 17/02/2017|GoCapital Partners opina|