Uma viagem à microfísica da fraude

Por Renato Santos, S2 Consultoria

Fraude: você está fugindo dela ou procurando compreendê-la?

Você já pensou que a sua empresa pode estar sendo vítima de corrupção neste momento? O termo assusta, mas ao invés de pensar em como resolver a fraude e o assédio na sua organização, é melhor entender os seus caminhos.

Este é o primeiro texto da equipe da S2 Dimensão Humana para a equipe de conteúdo da BM&FBOVESPA. Vamos trazer toda a vivência de mais de 6 mil horas de treinamento, capacitando profissionais de auditoria, compliance e RH, na formação em técnicas de entrevista investigativa moderna e detecção de mentira. E aqui falamos de técnicas auditadas por profissionais com embasamento científico. Sem abordagens policiais e longe da ideia de capacitar para a “caça às bruxas” nas empresas.

Como lidar com a fraude?

Fraude é um fenômeno cuja definição depende de seu contexto. Tratá-la é difícil e necessário, pois impacta tanto na perspectiva ética, quanto na econômica. Além de complexa, os modelos para analisá-la são incompletos, sendo necessário procurar constantemente instrumentos para o seu entendimento e mitigação.

O comportamento humano, na perspectiva da fraude e do assédio, não pode ser considerado isoladamente. É preciso ser analisado de forma abrangente para a compreensão das causas e antecedentes e em 3 níveis:

  1. micro (indivíduo)
  2. meso (cultura)
  3. macro (organização)

“Demonizar” o fraudador e o assediador, considerando-os seres anômalos em essência, é uma visão míope, pois não busca compreender as circunstâncias que influem na decisão do indivíduo. É quando conhecemos as circunstâncias que temos a possibilidade de intervir.

Se indivíduos cometem fraudes e assédios por influência das contingências, por mais variadas que essas sejam, há um prenúncio alentador. É possível não só prevenir, no sentido de aumentar a eficácia dos procedimentos, mas também há a possibilidade de predição quanto à formação do agente.

Formas de prevenir a fraude e o assédio

Na S2, desenvolvemos estratégias além da prevenção das consequências dos atos do fraudador e do assediador. Avançamos na aplicação de ferramentas de compliance que combatem essas ações a partir do fator humano. Graças a elas, conseguimos frustrar a constituição e a adoção de medidas que busquem preservar no indivíduo a condição de trabalhador íntegro, impedindo que se torne fraudador e assediador.

Estudamos questões ligadas à fraude e assédio há bastante tempo. A minha pesquisa de doutorado gerou o Pentágono da Fraude, um modelo preditivo, que consegue antecipar atos de fraude e assédio nas organizações, focado no fator humano.

O Pentágono da Fraude é uma alusão aos modelos antecedentes de Cressey (1953 – oportunidade, racionalização e pressão/necessidade) e de Wolfe e Hermanson (2004 – capacidade), que irrompeu dos resultados colhidos e das análises: a disposição ao risco.

Acreditamos que contratar o caráter e treinar as habilidades tornam os ambientes corporativos melhores, reforçando a conformidade dos processos organizacionais e dos profissionais. Por isso, o nosso foco é sempre no fator humano, e não dos processos que levam à fraude.

Por que tentar predizer a fraude e o assédio é importante?

Da mesma forma que as organizações promovem eventos para reforçar a cultura, motivar e divulgar os códigos de ética e compliance, podem agir para dissuadir potenciais fraudadores. Não por ameaças de um suposto supersistema de controle, mas pela sensibilização do indivíduo quanto às consequências da fraude para sua vida profissional

A gestão de risco tem se tornado uma das formas de controle social ao ser positivada e, por conseguinte, reduzindo o cunho disciplinar das decisões pelo dever.

Um programa de compliance positivo inclui, por exemplo, apresentações e discussões com funcionários sobre a racionalidade (no sentido da análise individual de custo benefício) e as vantagens em manter a integridade não apenas em prol da organização, mas também, para seu próprio interesse.

A ideia é não sucumbir à ingenuidade, em procurar modificar a natureza humana, mas sim buscar alternativas para desenvolver um individualismo responsável, colaborando para afastar o funcionário da possibilidade da “metamorfose perniciosa”.

Nos acompanhe nos próximos artigos!

 

Sobre a S2 Dimensão Humana

Somos uma equipe multidisciplinar de profissionais focados em ajudar as organizações a compreender e predizer os caminhos da fraude e do assédio:

Renato Santos: Advogado, MBA Gestão de Pessoas, Mestre e Doutor em Administração com experiência na área de Compliance em diversas organizações. É autor do O Pentágono da Fraude e do livro“Compliance: Mitigando Fraudes Corporativas”.

Mario Junior: Administrador, Especialista em Investigações Corporativas e Prevenção a Fraudes Organizacionais, é o primeiro brasileiro certificado pela International Association of Interviewers – CFI.

Alessandra Costa: Psicóloga, Especialista em Compliance Coach e PNL, com atuação na coordenação de mais 40.000 testes de integridade no Brasil e na Europa.

Nilson Cardoso: Formado em TI é especialista em investigação forense e crimes cibernéticos, com experiência em consultoria internacional de Governança de TI e Digital Forense.

Pode parecer utópico, mas nossos números provam que este caminho faz cada vez mais sentido:

  • Foram 222 entrevistas investigativas com profissionais de 63 empresas.
  • Dos entrevistados:
    • 44% foram inocentados,
    • 56% estavam envolvidos em fraude e assédio. Destes, graças às nossas técnicas e ferramentas, 72% confessaram o seu envolvimento relatando sua forma e atuação e demais envolvidos.

Saiba mais em nosso site: www.s2consultoria.com.br.

 

Renato Santos é executivo da S2, Advogado, MBA Gestão de Pessoas, Mestre e Doutor em Administração pela PUC-SP. Experiência na área de Compliance em diversas organizações por mais de 15 anos. Professor, colunista e autor do livro “Compliance Mitigando Fraudes Corporativas”, premiado pelo Instituto Ethos e CGU.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da BM&FBOVESPA ou como recomendação de investimento. A BM&FBOVESPA não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.

 

2017-02-13T19:30:53+00:00 13/02/2017|Artigo em foco|