Valor a bordo

Por Mauricio Bergamaschi, mb@gocapitalpar.com

Imagine-se dirigindo um carro numa autoestrada. Você tem experiência ao volante, conhece o funcionamento do carro, sabe que está sobreo asfalto, entre um canteiro e um acostamento, mas não conhece exatamente o caminho que vem pela frente, não sabe onde surgirão as curvas, as elevações e as descidas. Apenas espera que em algum momento elas virão.

Agora imagine que o vidro para-brisas de seu carro, a alguns palmos de seus olhos, é fosco, escuro, não lhe dá nitidez maior do que alguns metros à frente. Quando é a hora de acelerar? O que deve fazer se alguma curva de repente surgir? O que deve fazer se o próximo posto de combustível estiver distante? Em que momento deve frear?

Fazendo analogia, é assim que muitos empresários tocam seus negócios. Visibilidade pequena, previsibilidade distante. Experiência e instrução deram a eles capacidade e confiança para sentar no assento do motorista, mas a indecisão de que manobra executar quando as curvas e descidas surgirem, ainda lhes causam calafrios.

O que exatamente acontece com o caixa da sua empresa se seu cliente ligar estendendo o prazo de pagamento em mais duas semanas? Se, de repente, um fornecedor importante falir? Em que exatamente você deve investir se o mercado crescer? Quando exatamente vai precisar de dinheiro?

Desenvolver um plano de negócios contendo diferentes hipóteses de projeção, onde cada cenário revela qual seria valor da companhia (valuation) caso tais hipóteses se confirmem é um exercício que dá clareza e responde muitas das perguntas acima. Podemos chamá-lo de gestão baseada em valor. Essa ferramenta, muitas vezes vista como “coisa de empresa gigante”, é deixada de lado por tocadores de negócio. “Não tenho tempo”, “estou com foco na operação” são frases utilizadas como muletas por muitos empresários.

À medida que dissecamos os números da operação e compreendemos causas e consequências de variações operacionais nos resultados futuros, é como se estivéssemos limpando o para-brisa daquele carro, dando nitidez e segurança para execução da próxima manobra. Às vezes concluiremos que é hora de frear, ou que a curva é branda e para a direita, ou que é tempo de mais gente entrar no carro.

Quaisquer que sejam as opções de manobra, ficaremos bem convictos nas decisões e equilibrados na direção que deve ser dada à companhia.

Mauricio Bergamaschi é CM&AA, Especialista em Fusões e Aquisições (Private Capital Markets) pela DePaul University – Kellstadt Graduate School of Business – Chicago, EUA. Formação em economia pela UFRGS. Trabalhou por três anos com finanças corporativas e análise de investimento no Banco Sicredi. Tem mais de 5 anos de experiência em M&A, tendo participado de mais de 10 transações. É sócio da GoCapital partners e atua em projetos de M&A e em empresas investidas.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da BM&FBOVESPA ou como recomendação de investimento. A BM&FBOVESPA não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.
2016-12-20T18:52:23+00:00 28/10/2016|GoCapital Partners opina|